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28 maio 2008

173



Doação
ROGERIO SANTOS

quando me deu o coração
por amor ou puro truque
entregou com marca-passo

13 maio 2008

12 maio 2008

171




Triângulo
ROGERIO SANTOS

ostentas
as tantas

os tesos
olentes
tentáculos

oscilas
ou tantra
ou mantra

ou trinca
ou trava
ou trívio

oscilas
ou tantra
ou mantra

os tesos
olentes
tentáculos

ou tentas
às tantas

09 maio 2008

170




Presente
ROGERIO SANTOS

(para a Rita Ritinha Cantora)
(para a melodia de Fernando Baeta)

o mar que herdei
guarda o destino que tracei
denso de erosão no olhar

navegar pelo rei
romper o ponto de partida
ventre-porto
sempre-vivas
olhos de velar

chover não sei
um vento leve me bateu
fez o amor em mim brotar

nesse sol que sonhei
há sete léguas de matizes
tintas tontas
pintam e bordam
linda embarcação
(azul)

08 maio 2008

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O Juiz e a Sogra
ROGERIO SANTOS

eu tava tão bem na padoca em Santo Amaro
mas tinha que ver o meu time no estádio
roubado por um argentino salafrário
a minha bandeira virou escapulário

quem torce pra Portuguesa de Desportos
coração tudo pode aguentar

depois do apito ficou sapo entalado
além do nervoso inda me pisaram o calo
um dia vou ver esses caras rebaixados
e minha mulher fica me tirando o sarro

quem torce pra Portuguesa de Desportos
coração tudo pode aguentar

eu chuto o cachorro ela já descola um gato
pra ver o escroto mijando o meu sapato
ou faço vender para o cara do churrasco
ou fico com ele e ela sobe no telhado

quem torce pra Portuguesa de Desportos
coração tudo pode aguentar

a sua mãe liga o ar condicionado
só para dizer que precisa de um casaco
proponho mandar pro deserto do Saara
acabo perdendo metade do ordenado

quem torce pra Portuguesa de Desportos
coração tudo pode aguentar

ainda ventilam que sou muito encanado
que vivo apegado nas coisas do passado
eu como calado mas deixo meu recado
quem faz nessa vida aqui vai pagar dobrado

quem torce pra Portuguesa de Desportos
coração tudo pode aguentar

05 maio 2008

168



Pescador
ROGERIO SANTOS

para cevar uso vogais
como iscas consoantes
quando pesco
no intenso mar das palavras

o aço é leve
o fitoplâncton é pesado
e tudo é questão de paciência

as vezes nem frases dispersas
as vezes alguns sons guturais
e em dias banais, banais vocábulos

mas em dias de sorte grande
encho meu puçá
com belos e variados poemas

e preparo aquela festa
que minha aldeia banqueteia