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30 setembro 2009

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(foto de Giselle Camargo com sua cachorrinha puja extraída do ORKUT)

Bichumano
ROGERIO SANTOS

átomo
se tomo todo amor da fofura da foto
sobrepuja o fato de nunca termos falharmos
de falarmos à beça
bichumano silencia sobre o que poder
em todos os tempos que o verbo sui generis sugere
e sugere uma essência de mil ditos e não ditos
de perfume quando solto
de palavra quando presa
aportar no livre arbítrio
não apenas se há penas por falarmos a beça
feito colcha de retalhos
de cingires transparentes
pelo vício e pelo viço do carinho
de ser gente assim urgente
feito istmo na ponta de uma ilha
quando alcança o continente

23 setembro 2009

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Retina teia
ROGERIO SANTOS

quem foi que disse
esse estilhaço de palavra
de quando um traço
de abraço não deixa mágoa
por conta disso
na réplica imaginária
tributo da mesma paga
fomento navega a fala

por conta e risco
disparo retina teia
é quando o tanto
da fome define a ceia
um pouco disso
te engole sábia palavra
que chama penetra carne
unguento matura a cala

a dor da sorte
é a palavra no silêncio
quem sabe o norte
na língua dos horizontes
se anteontem
a cisma media o tempo
na rima da tua boca
verbalizo o fragmento

02 setembro 2009

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(foto: Mar Pequeno by Rose Tóffoli)

Nuvem
ROGERIO SANTOS
(letra e música)

as nuvens no rio quando vão
carregam fugaz solidão
na chuva que vem pelo ar
um rio quer ser todo mar

vem vem nuvem nuvem não vem
nana nuvem nuvem nu vem

na chuva também, quando sal
há lágrima além do lugar
quem sabe você, pelo ar
é nuvem que vem sobre o mar

vem vem nuvem nuvem não vem
nana nuvem nuvem nu vem

namora o sol de se dar
depois vai gestar rio e mar
é nuvem no cio, como não?
desagua também por paixão

vem vem nuvem nuvem não vem
nana nuvem nuvem nu vem