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28 fevereiro 2010

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Entre Sóis
ROGERIO SANTOS

cabelos ruivos tua tez teu escudo
por onde a sorte dos olhos mergulho
quando entre sardas centelhas saltitam
por onde meus apelos atrelo e navego
por quem faminta minha boca saliva
quando me prendo e estendo por um fio sincero
de ondas salgadas no mar calmo do tempo
de conchas e pomares de luares que invento
de sonhares surreais de matizes que desvelo
que revejo e velejo quando me teço desnudo
entre sóis e lençois dos fátuos faróis de tu cielo

26 fevereiro 2010

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(foto de Edu Ikeda: Paranapiacaba-SP)


Domador
ROGERIO SANTOS

minha vida
pautada no cotidiano
segue sua trilha
sem grandes novidades

continuo o mesmo

um ser ou não ser
em frequente mutação

domador de dúvidas

25 fevereiro 2010

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Moto Perpétuo

(Rodosentimento III)
ROGERIO SANTOS

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro namoro

casa giro mercado casa
casa giro cinema casa

casa giro sogra casa
cerveja giro casa namoro

e tudo segue girando

12 fevereiro 2010

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Peninsular
ROGERIO SANTOS

um dia seguirá
como o aboio
de um verso amigo
o bom sorriso
do meu velho pai
que meio mundo
soube circular

então só restará
aquela ilha
adentro mar deserto
discreta creta
mini minotauro
tão preso a tudo
que redundará

a lenda é pressentir
aquele abraço
um beijo com gosto
muito obrigado
pro meu velho amigo
que vai comigo
em tudo que faz

além de perseguir
aquilo tudo
que me foi proposto
sem ter palavra
regra de se olhar
e engolir
todo tipo de choro
pra hidratar

e sempre ficará
todo momento
estampado no rosto
intimo um istmo
para que a vida
possa seguir
sempre peninsular

11 fevereiro 2010

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Rodossentimento II
ROGERIO SANTOS

a rodovia é uma estrada
a estrada é uma avenida
a avenida é uma rua
a rua é uma viela
a viela é uma quelha
a quelha é uma ruela
a ruela é uma travessa
a travessa é uma vereda
a vereda é uma picada
a picada é uma carreira
a carreira é um atalho
o atalho é uma trilha
a trilha é um caminho
o caminho é uma artéria
a artéria é uma algaravia

10 fevereiro 2010

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Hermenegildo
ROGERIO SANTOS

Hermenegildo molhou a areia
claramente ouviu-se o som
quem viu viu a vera
quem ouviu quimera

era ele e ela
ele nela funda esfera
uma marca cravada

na tapera

uma onda bateu
lambeu a perna
era ele e ela
e a marca cravada
na canela

Hermenegildo molhou a parede
logo ele que manera
logo ela que foi pedra
e hoje que erodiu
quisera

08 fevereiro 2010

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Ciclo
ROGERIO SANTOS
(para o tema "Ciclo" de Antônio Mineiro)

onde vou chegar sem me perder?
como me encontrar sem me perder?

se meu caminho vem de sonhar
quando sinto tua pele
na trilha das mãos e do olhar?

estou perdido, me veja lá
todo perdido no verbo amar

como me explicar sem me perder?
como te encontrar sem me perder?

se meu caminho vem de sonhar
quando sinto tua pele
na trilha das mãos e do olhar?

estou perdido, me veja lá
todo perdido no verbo amar
sei conjugar de tão perdido

como te explicar sem te perder
como me encontrar sem te perder?

quando caminho no teu andar
sei que sente na pele
na trilha das mãos e do olhar

estou perdido me veja lá
de tão perdido venha me achar
fechar o ciclo já