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20 janeiro 2013

13 janeiro 2013

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Mar Morto
ROGERIO SANTOS

amar é servir à vida
retrós de esperado instante
por isso estilhaço o estanque
com vento que arromba parede

há sempre uma escapatória
numa porta que destranque
 

poeira de casa sem teto
de janela em ripa nobre

se a tramela é enferrujada
e a sombra presume um corpo
não naufraga com seu medo
quem mergulha no mar morto



 

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Ensimesmada
ROGERIO SANTOS

dentro de todo querer
tem asas de anjo de guarda
tudo que pede um viver
bem livre de amarra e de farda
tudo que sei de aprender
é espalhar que não sei nada
só sinto que faço valer
todo amor na minha estrada

só sinto que faço valer
parede de casa caiada
tudo que sei de aprender
não mora num conto de fada
tudo que pede um viver
é poesia enamorada
dentro de todo querer
tem a noite e a madrugada

dentro de todo querer
tem viola enluarada
tudo que pede um viver
tem um som de passarada
tudo que sei de aprender
é inflar a voz calada
só sinto que faço valer
quando o canto vira enxada

só sinto que faço valer
se a chuva é de enxurrada
tudo que sei de aprender
vem na última tragada
tudo que pede um viver
é paixão redesenhada
dentro de todo querer
vive a flor ensimesmada


/

10 janeiro 2013

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Quatrocentos 
ROGERIO SANTOS

escrever é uma sina
publicar é uma sanha
oração não cabe em cela
e pau não foge de aranha
quatrocentos são os golpes
vinte mil são os galopes
entre o cravo e a ferradura
do ostracismo e do ibope
se a inspiração me fascina
entorno mais meio xarope
dábliu, dábliu, dábliu, ponto
folha de cima blog spot


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Iluminura
ROGERIO SANTOS

Iluminura
quando avoa
cobre o céu
em desatino
pilha nuvens
e pessoas
quando cria
em desaviso
chuva boa
de poesia
casamento
de viúva
quando o sol
enfim desponta
noutro dia
que se apruma

09 janeiro 2013

398




Catalepsia
ROGERIO SANTOS

meus olhos fechados
minha boca fechada
silêncio de nem respirar

eternidade e vazio
corpo na areia da praia
marcando uma estrela no chão

nesse exato momento
meu coração foi roubado
e bem se admira o ardil

grita s.o.s em código morse
invade outro peito vadio
de amor, escapa pelo ladrão

07 janeiro 2013

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A Craca
ROGERIO SANTOS

now
de vê-la
levá-la
velá-la
eu vento
eu vela
eu sela
e sê-lo
silêncio

i’m sea
eu tela
eu barco
vetusto
a craca
de tê-la
em pêlo
no tempo
do todo

afago
affair e fogo
apara fina
completa mente
in finito
que foi-se
sem telha
in previsto
nau frágil