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30 novembro 2013

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Elã
ROGERIO SANTOS

e aqui me entrego tronco
morada aberta para elã jabuticaba
trago pleno de flores o meu coração
desconstruido, calado, enamorado
seja vós e voz o negro dos teus olhos
que me habite doce sem que nuble a noite
e eu ouvido na concha, nada ouça de infeliz
se é certo que há um ponto, há outro ponto
que respiro em meus pulmões enquanto primavero
sem perder que hoje é sempre inverno por um triz

28 novembro 2013

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Casa Aberta
ROGERIO SANTOS

tenho mania
de nunca fechar 

o último botão da camisa
 
além de ser mais elegante
é muito boa a sensação

de sentir a casa aberta


21 novembro 2013

18 novembro 2013

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O ciclo
ROGERIO SANTOS

por um instante a rede
recebe o meu olhar
e a sede, e a sede, e a sede

por um instante o medo
ascende o meu penar
e é cedo, e é cedo, e é cedo

por um instante o açoite
inventa um mergulhar
e é noite, e é noite, e é noite

por um instante o denso
invade o meu lugar
intenso, intenso, intenso

por um instante o mundo
estanca sem girar
e é fundo, e é fundo, e é fundo

por um instante o vício
desiste de abraçar
de início, de início, de início

por um instante o ciclo
encontra o meu trilhar
oblíquo, oblíquo, oblíquo

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