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25 julho 2015

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Flor de Amendoim
ROGERIO SANTOS

fiz do silêncio morada
do pensamento um jardim
meu olhar é uma varanda
com perfume de jasmim

quando a chuva vem eu tomo
choro a chuva que há em mim
e a tristeza faz que voa
feito flor de amendoim

minha janela é no teto
o tapete é gergelim
minha sala é um orquidário
na geladeira um pinguim

a vida é uma casa dessas
com paredes de xaxim
tem a porta sempre aberta
pra quem sabe dizer sim


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19 julho 2015

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Freguesia do Ó (2)
ROGERIO SANTOS

o silêncio da manhã
de um domingo de sol
é poesia no céu
da freguesia do ó

a cidade matou
a contemplação
e nos entupiu
de barulhos

mas o sino da igreja
de sons ancestrais
insiste em cobrar
quem se distrai

na sina dos edifícios
a geometria do olhar
um passo adiante
sem sair do lugar

na rua de baixo
ainda mora a menina
que arrasa o quarteirão
com seus "erres"

a cidade
manda mensagens
que não entendo bem

- sou mais do interior -

um cheiro de café
interrompe o despertar
adormeço e sigo
com última estrela que se vai

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16 julho 2015

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Brincadeira de Martim
ROGERIO SANTOS

Para amanhecer, você se foi
Foi adormecer no Ceará
Sente quando é noite por aqui

E o amanhecer é o despertar
É deixar o corpo flutuar
Solto pelo vento de Jeri

Prender luar e dar bandeira
Aprender a calar de brincadeira
Feito um martim, pescar estrelas
Ver o dia azular, de pé na areia

Quando anoitecer também me vou
Quero acontecer no Ceará
Sempre chega o dia de seguir

Quando entardecer feito abraçar
Como o sol se põe no mei-do-mar
Vento é som de flauta por aqui

Prender luar de brincadeira
Aprender a calar, de pé na areia
Feito um martim, pescar estrelas
Ver o dia azular e dar bandeira

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