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19 maio 2013

415




Flor-de-Maio
ROGERIO SANTOS

a folha em branco me entreolha
como quem implora tenras palavras

e eu um tolo de mãos atadas
com a cabeça no outono e sua dança
aguardo a queda da próxima folha
no desencontro da flor-de-maio

enquanto imagino a festa de junho
e me quero balão em noite estrelada
seguimos assim, um não e nada
cola tenaz e papel de embrulho

18 maio 2013

414



Feito Vida
ROGERIO SANTOS

ouvir minhas canções no rádio tem outro sentido
é como se finalmente, fossem bater nos confins do mundo
ecoar e pegar alguns desavisados pelas costas
feito brisa fresca em dia quente
feito brisa quente em dia frio
feito vida quando cobra atenção
quando um tranco chacoalha alguém que desperta:
- "olha, o trem está passando".

por isso, cantar poemas em canções não é uma escolha
é uma doce ironia do destino.
- palavras domando em pêlo o cavalo da melodia -

27 abril 2013

413



Pra quem chegar
ROGERIO SANTOS

(para melodia de Rafael Zoli)

há um templo por viver
quando o senso vem dizer
- salta...
A melodia te sustenta no ar

bem-me-quer ou bem-querer
há palavras pra acolher
- salta...
na poesia que flutua no ar

vou me entregar
voa canção
pluma e paixão
pra quem chegar

17 abril 2013

412



Tipo Assim
ROGERIO SANTOS

meu amor
é "tipo assim"
uma doçura
em céu de brigadeiro
um beijinho
e um quindim

azuzim
feito tarde de outono
quando o sol faz a curva
em desaviso

na medida certa
para esticar o dia
e aconchegar
feito café quentinho aromatizado

meu amor
é "tipo assim"
quando o sorriso
não tem hora
e o cobertor
é coisa de pele

01 abril 2013

411






Gangorra
ROGERIO SANTOS


a vida
é uma verdadeira gangorra

e os amigos
nos ajudam a ficar
bem longe do chão

16 março 2013

410



Medo e Mania
ROGERIO SANTOS

se a gente para pra pensar:

vive com medo
é que o medo, por prazer
acorda cedo
e nem clareou o dia
já trás o pão da padaria
e põe a mesa do café
- te dá bom dia

a gente faz sinal da cruz
e pé na rua
se a gente para pra pensar
é só mania
é tanta coisa pra lembrar
é tanta conta pra pagar
e o trabalho pra sugar
toda energia

mas sempre dá-se um jeito
um tempo natural
de transformar o medo
em harmonia

grafite na parede
grafite no papel
e a próxima canção
virou mania

mania de ter medo
a vida é mesmo assim
com dom compositor
faz transformar temor
em melodia

um medo de mania
a vida é mesmo assim
um jogo de xadrez
com torre de babel
na poesia

13 março 2013

409



Outro Lado do Rio
ROGERIO SANTOS
a vida exige braço.
para o abraço, para o aceno, para o trabalho.
a vida é um coletivo de encruzilhadas.
a vida é o desafio das travessias.
há que se buscar força e coragem para empunhar o remo,
mesmo sem ter nenhuma certeza do que nos aguarda do outro lado do rio.

11 março 2013

408



Nova Canção
ROGERIO SANTOS

o amor quando tem seu dia
é como a letra e a melodia
que se espreitam desconfiadas
até o chão da primeira nota

quando entrelaçam corpo no corpo
e o som da palavra ulula na corda
os dedos da mão costuram a sorte
e o amor é o norte da nova canção

toda canção de amor é bendita
e fatalmente bonita

17 fevereiro 2013

407





Horário de Verão
ROGERIO SANTOS

entristecido, fim do horário de verão
volto os ponteiros, encaminho outra estação
se as folhas caem e a noite logo vem
vem meio-dia ou às onze o nosso trem?

a chuva tarda, tarda o tempo de gostar
do escritório, vejo o sol se derramar
me dá saudade de curtir um fim de tarde
convidativo, com a luz crepuscular

minha cidade não tem praia não tem cais
mas o calor de uma amizade vale mais
e gira o mundo vai mudando tudo então
quanta beleza tem horário no verão

do capricórnio para a linha do equador
do equador para o calor setentrional
minha saudade molha os pés na água fria
enquanto o sol segue a viagem tropical

09 fevereiro 2013

406



Farol 
ROGERIO SANTOS

do barco não sobra nada
não deixa traço
não sobra rastro
no verde azul

é só vertigem
de doma-onda
trama de espuma
de ouvir calar

no mar do amar
um farol 
e a noite cria um dilema

gerar a luz 
e render caminho 
é cais bem longe
do desvario

ficar inerte é egoísmo 
uma ilusão
confim lascivo
na impiedade dos rochedos

colisão ou solidão
são duras possibilidades

405



Minha Terra
ROGERIO SANTOS

quanto desses versos soltos trago em minhas mãos?
flor quando se despetala, outono... ou...

na palavra, um perfume solto na canção
no caminho, vaga-lume e noite de verão
sempre-vivas e bromélias, outras notas, viração


quanto desses versos soltos trago em minhas mãos?
flor quando se despetala, outono... ou não

segue firme seu destino: próxima estação
noutro inverno, tanto frio e um sol no coração
minha terra, minha língua, toda dor na intuição

quanto desses versos soltos cabe em minhas mãos?

quando canto - sempre solto, sempre preso
quem fui, quem sou eu...

(esse texto foi produzido como letra para um tema de canção)

03 fevereiro 2013

404



Jabuticaba
ROGERIO SANTOS

ela tem um brilho em que me espelho
e tem um sorriso em que me espalho
ela tem uma sina no rosto, um desenho de lua
e no centro da lua, a noite em que me espraio
e ali tem uma força, nos olhos de lua e de noite
e ali é que me acendo para desvendar o porto
e ali, intrínseco, o farol da gravidade que orbito
no meio da testa da cabeça feita e iluminada
existe vida inteligente quando entro em parafuso
e mergulho no universo abissal desse poema
que me aguarda sorrindo feito egípcia esfinge
querendo alguém que o decifre e saiba guardar segredo
que decerto, por tão sábias, as palavras não dizem


20 janeiro 2013

403






Vagalume
ROGERIO SANTOS

alua
coração vulgar
a lua

vira estrela
e vaga
divaga
vagalume



/

13 janeiro 2013

402



Mar Morto
ROGERIO SANTOS

amar é servir à vida
retrós de esperado instante
por isso estilhaço o estanque
com vento que arromba parede

há sempre uma escapatória
numa porta que destranque
 

poeira de casa sem teto
de janela em ripa nobre

se a tramela é enferrujada
e a sombra presume um corpo
não naufraga com seu medo
quem mergulha no mar morto



 

401




Ensimesmada
ROGERIO SANTOS

dentro de todo querer
tem asas de anjo de guarda
tudo que pede um viver
bem livre de amarra e farda
tudo que sei de aprender
é espalhar que não sei nada
só sinto que faço valer
todo amor na minha estrada

só sinto que faço valer
parede de casa caiada
tudo que sei de aprender
não mora num conto de fada
tudo que pede um viver
é poesia enamorada
dentro de todo querer
tem a noite e a madrugada

dentro de todo querer
tem viola enluarada
tudo que pede um viver
tem um som de passarada
tudo que sei de aprender
é inflar a voz calada
só sinto que faço valer
quando o canto vira enxada

só sinto que faço valer
se a chuva é de enxurrada
tudo que sei de aprender
vem na última tragada
tudo que pede um viver
é paixão redesenhada
dentro de todo querer
vive a flor ensimesmada


/

10 janeiro 2013

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Quatrocentos 
ROGERIO SANTOS

escrever é uma sina
publicar é uma sanha
oração não cabe em cela
e pau não foge de aranha
quatrocentos são os golpes
vinte mil são os galopes
entre o cravo e a ferradura
do ostracismo e do ibope
se a inspiração me fascina
entorno mais meio xarope
dábliu, dábliu, dábliu, ponto
folha de cima blog spot


/

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Iluminura
ROGERIO SANTOS

Iluminura
quando avoa
cobre o céu
em desatino
pilha nuvens
e pessoas
quando cria
em desaviso
chuva boa
de poesia
casamento
de viúva
quando o sol
enfim desponta
noutro dia
que se apruma

09 janeiro 2013

398




Catalepsia
ROGERIO SANTOS

meus olhos fechados
minha boca fechada
silêncio de nem respirar

eternidade e vazio
corpo na areia da praia
marcando uma estrela no chão

nesse exato momento
meu coração foi roubado
e bem se admira o ardil

grita s.o.s em código morse
invade outro peito vadio
de amor, escapa pelo ladrão

07 janeiro 2013

397




A Craca
ROGERIO SANTOS

now
de vê-la
levá-la
velá-la
eu vento
eu vela
eu sela
e sê-lo
silêncio

i’m sea
eu tela
eu barco
vetusto
a craca
de tê-la
em pêlo
no tempo
do todo

afago
affair e fogo
apara fina
completa mente
in finito
que foi-se
sem telha
in previsto
nau frágil

23 dezembro 2012

396



Dumdum
ROGERIO SANTOS

quando disparo a poesia
ela vai firme na rota
a precisão é terrível
procuro o meio peito

se você corre ela pega
se você pára tá morta
é como a fome e a sede
é como um tiro infalível

se ajoelhar não escapa
se abaixar ela passa
se espatifa na parede
mas te acerta pelas costas

20 dezembro 2012

395



Canção
ROGERIO SANTOS

escrevo um poema, ponto.
mas encontrei um poema pronto
e só restou uma alternativa:
buscar na urgência da carne
a inspiração para a melodia

19 dezembro 2012

394



Oito de Copas
ROGERIO SANTOS

passo para olhar o que não vejo
para sentir o que não sinto
para ultrapassar velozmente
a imensidão da mesmice

passo para filmar o limite
na porta do precipício
 

onde se queda a sandice
onde o barato é o hospício

passo para a próxima palavra
petardo ou paralelepípedo
por fim, deixo o "deixa disso"
no desregulado densímetro

a temperança dá o viço
do oito de copas no encalço
peito encharcado e semente
vertigem do próximo passo

18 dezembro 2012

393



Orvalho
ROGERIO SANTOS

ouço muitos comentários
sobre as folhas que invento
sobre as flores que apresento
sobre os frutos que espalho

o verão inventa cores
o outono as acinzenta
o inverno engana o tempo
a primavera enfeita os olhos

e o ciclo se completa
antes que tudo se perceba
para viver numa vereda
é preciso ter orvalho


17 dezembro 2012

392



Por Breve que Seja
ROGERIO SANTOS

tenho interesse na troca
na via de duas mãos
no encontro da intuição
na falta de velocidade

sinto alegria de fato
na manha de toda manhã

no sol que amplifica seus raios
na chuva do entardecer

busco o prazer da postura
no ponto que tece o sorriso
na escolha do novo caminho
no giro das rotatórias

in-vento-me fé e paixão
que todo aprendiz deve ter
pra não se perder no sentido
do rumo da eternidade

que a força do olhar pode estar
focada na da próxima esquina
mas antes, pra sempre estará
inteira no próximo espelho

11 dezembro 2012

391



Possibilidade
ROGERIO SANTOS

quando a erosão
chega no olhar
pode ser mal
mas pode ser bom
pode ser o tempo certo
para que a poesia aflore

/

25 novembro 2012

390



Gangorra
ROGERIO SANTOS

sei de vento e de sol

como batem na pele
e se a água é de mar
quando o gole é de sal

e até sei de chão

e talvez não e sim

de azul na intuição

e se caio, por impulso

desço as pálpebras e subo
nas asas da imaginação

seja então, como for

um milímetro que seja
quero o céu
nos dois lados da gangorra

23 novembro 2012

389



Debandada
(letra para o tema de Tiago Saul)

Mais um dia
Diamante
- Sente -
Na rua eu sigo em frente
Na estrada eu sigo em frente
No azul eu sigo em frente
No mar eu sigo em frente
No céu eu sigo em frente
Com asas pra voar

Passarada
Debandada
- Sente -
Na rua eu sigo em frente
Na estrada eu sigo em frente
No azul eu sigo em frente
No mar eu sigo em frente
No céu um sigo em frente
Com asas pra voar

Dentro dos meus olhos o cristal
Reflete a luz do teu olhar
Levo nos meus olhos tanta pedra
Diamante é lapidar

Quando abro asas, céu de chão
Eu faço o ninho onde chegar
Cordas de viola som de flauta
E a canção é meu lugar

21 novembro 2012

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Outro Motivo
ROGERIO SANTOS


sem mais nem menos
mais um samba vai nascer
um passo, um compasso
outro motivo a mais


um samba vem bater
na porta desse coração
bordão de uma oração
rompendo outra manhã


sem mais nem menos
é o amor quem vai chegar
com cheiro de limão
partindo a insensatez


sabor na intuição
e antes mesmo de provar
já sente o salivar
de outras ideias


pra um bom entendedor
meia palavra é o que basta
que vem pro violão
faz o carinho da canção


o samba é a cachaça
o amor é todo açucar
e o gelo é o suor
que é feito só pra derreter


apronta muito bem
outra batida de limão
mistura com paixão
noutro gostoso vai e vem


um samba vem bater
na porta desse coração
bordão de uma oração

outro motivo a mais