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30 março 2012

365

Silêncio
ROGERIO SANTOS

quando tudo silencia
feito barulho de onda
em braço de mar abrigado

som do quase evidencia
o quanto amolo de faca
e afio a poesia no mó

nesse tanto que me calo
digo muito e nada falo
feito estrela em noite clara

feito lua em terra arada
quando na lingua do nada
fagulha de lâmina e pedra

é lume de fogo de nave
é chama de amor temporão
e tanto bate até que medra

28 março 2012

364







Sustenido
ROGERIO SANTOS

abre os canais da alma que tudo pede um já
- a pausa
- a causa
- e a mucosa...

- lín-gua-es-pe-ran-to

sus de viver acalanto e acalentar encanto

meio giro de lua cheia nos visco de um bem bom
vestir-se de poros e pururucar pororocas de lume
pois é mesmo no bojo desse mundo obscuro
que ainda se acha vaga pra virar vagalume

26 março 2012

363


Onde
ROGERIO SANTOS

diamante é diamante se não pesa
sabe a pluma no ar quanta inveja
do dia da noite do mar e da lua
da arte da vida no giro do cosmos
de pedra de água um foguete dileto
no cerne da carne do azul indiscreto

viaja no rumo do centro do ventre
onde bate onde fenda onde funde seu norte
nas pontas do eixo de um mesmo universo
revira a matéria na pira da sorte
até que um poeta reparta e desvende
a sede e a fome de um só sedimento

24 março 2012

22 março 2012

360


Sujeito Oculto
ROGERIO SANTOS

um sujeito oculto recluso no aço e concreto
de flanco medroso preposto de verbo indireto
a boca uma via rompida por um pontilhão
e a puta da vida clamando por um catavento

...sonha o dia inteiro com seu travesseiro
vende seu trabalho por qualquer dinheiro

dá ênfase a fase na frase que já se constrói
na grua que iça o avesso da sua preguiça
a chuva frequente na esquina que tolhe o verão
são pólos opostos de corpos no chão de janeiro

...sonha o dia inteiro com seu travesseiro
vende seu trabalho por qualquer dinheiro

a faca é o relógio no sino de uma catedral
e a vida pulsando velada sem mais argumento
é polpa de fruta madura num congelador
do tempo que abraça o sujeito e sufoca o momento

...sonha o dia inteiro com seu travesseiro
vende seu trabalho por qualquer dinheiro

20 março 2012

359





Poema para a Amanda
ROGERIO SANTOS

siga entre o oito e o oitenta
velocidade ideal trinta e seis
nem tão veloz, nem tão lenta
esperteza demais não convém

que a vida é como a comida
que só se prepara uma vez
põe capricho no tempero
que o sal é a gosto do freguês

18 março 2012

358


Depurativa
ROGERIO SANTOS

eu vou remar e descobrir a rima
de figueiredo com silimarina
pra ver se dose dessa esteatose
dá uma maneirada e deixa de fibrose

eu nunca mais cai na canjibrina
só no suquinho, só na tangerina
até plantei comigo-ninguém-pode
e fui pra academia sem pesar o bode

a feijoada estou desconjurando
pra dobradinha pouco me lixando
eu quero é soja bem texturizada
broto de alfafa e flor de beterraba

portanto amigo dê uma maneirada
não me convide pra outra balada
que amanhã eu sei que acordo cedo
pra livrar o dízimo do Edir Macedo

porque se o corpo já não tem mais jeito
a minha alma sai para prefeito
e se algum dia eu recair no samba
só se for feitiço de alguma fubanga

14 março 2012

12 março 2012

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Mentira?
ROGERIO SANTOS

é muito fácil - filosóficamente falando -
alguém se livrar de uma mentira que tenha as pernas curtas

eu quero só ver é quando pintar uma mentira
de pernas longas, lisas e bem torneadas

10 março 2012

354


Embromation
ROGERIO SANTOS

não seja injusto com as bromélias
:
só um verdadeiro parasita
sobrevive da arte de embromar

08 março 2012

353





Menos é Mais
ROGERIO SANTOS

aos amigos tagarelas
deixo um conselho-oferenda

tente a palavra certeira
a chave do aperto da fenda

06 março 2012

352






Próximo Passo
ROGERIO SANTOS

ninguém passa imune
ao próximo passo

é pedaço de linha da vida
de desembaraço

04 março 2012

351


Wash me
ROGERIO SANTOS

lave-me palavra
leve-me palavra
e juro que calo uma praga
e juro que jorro de alegria

leve-me palavra
lave-me palavra
e espalhe pela pele
que trago no poro a poesia

02 março 2012

350

Aroeira
ROGERIO SANTOS

desabou agorinha
na minha cachola
um novo poema

sem eira nem beira
na simplicidade
da flor de aroeira