14 Novembro 2009

242



Dupla Face
ROGERIO SANTOS

a carne denota um alarme
um grito um rito um agito
na língua ambíguo coringa
disfarce fácil dupla face

descola da pele da córnea
um calo no prato do fato
no cerne foro consumado
vermelho vero amealho

disfarce um rito um agito
na língua da córnea da pele
no couro foro consumado
libido calo dupla face

vermelho no prato do fato
descola da pele um coringa
no couro o vero amealho
na carne detona um alarme

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09 Novembro 2009

241



Poema dia
ROGERIO SANTOS
poemapele
poematoma
poemasia

e chega um dia
que a quitanda
fecha as portas
por falta de magia

poemapele
(apele)
poematoma
(ematoma)
poemasia

que chega o dia
que de noite
é assim mesmo
se falta gás
fugaz fome
comida fria

poemapele
não me negue
o aroma

não me machuque
ferida
poematoma

um sal de fruta
pra curar
poemasia

cantar de galo
em outra freguesia

poema adia
(poema)
poemagia
(poema)

poema dia
que escrever
é folia

é carnaval
festa pagã
poema dia

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07 Novembro 2009

240



Poetatoo
ROGERIO SANTOS
(para Sidnei Olívio)

um poema prega nos olhos de quem o lê

- construção, desconstrução, signo, subversão, (sub)verso

e a poesia prossegue
tatuadora de essências.

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04 Novembro 2009

239




Mandala
ROGERIO SANTOS

hálito um halo de sol
no seu sorriso
a fala abraça o braço de mar
circulo abraço farto

falo pelos cotovelos
pelos poros
pelos pêlos de boca cerrada

enquanto intento
roubar do silêncio a pura pala

dou a letra de todo alfabeto
destino recoberto de frases e fases
crianças poltronas cadeiras
cheiram incenso de felicidade

calo a boca
alinhavo meus dentes
nos lábios cerrados

de toda sacada
provém um provérbio
de beleza rara

preciso saber do silêncio
da cor e movimento
que move a mandala


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19 Outubro 2009

238



Detalhe
ROGERIO SANTOS

para fazer um poema
não tem data
nem dito
nem dote
nem duto

mas invento na hora
se pintar uma "Dete"

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14 Outubro 2009

237



Conta-gotas
ROGERIO SANTOS

em teus olhos desatentos
fragmentos de paixão

da saudade
quando aporta na boca
quando é seca
quando é poça
quando a maré dita o ciclo
todo mar em conta-gotas

a água mole batendo
inércia que expande e recua
desenho na areia
um resquício
a onda varrendo o início
num vício que erode o que nega

travessura e travessia
quando passa a pedra em grão
num instante tudo é sólido
no restante é solidão


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13 Outubro 2009

236



Coisa do Norte
ROGERIO SANTOS
(para Renato Gusmão)

açaí
e poesia in natura
é coisa do norte

de quem transpira
pesca
colhe a manga mais madura
depois da chuva das três

e sabe (ver) o peso
da sina
da sorte

coisa do norte
coisa de quem tem norte
pra dar e vender

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30 Setembro 2009

235


(foto de Giselle Camargo com sua cachorrinha puja extraída do ORKUT)

Bichumano
ROGERIO SANTOS

átomo
se tomo todo amor da fofura da foto
sobrepuja o fato de nunca termos falharmos
de falarmos à beça
bichumano silencia sobre o que poder
em todos os tempos que o verbo sui generis sugere
e sugere uma essência de mil ditos e não ditos
de perfume quando solto
de palavra quando presa
aportar no livre arbítrio
não apenas se há penas por falarmos a beça
feito colcha de retalhos
de cingires transparentes
pelo vício e pelo viço do carinho
de ser gente assim urgente
feito istmo na ponta de uma ilha
quando alcança o continente

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23 Setembro 2009

234



Retina teia
ROGERIO SANTOS

quem foi que disse
esse estilhaço de palavra
de quando um traço
de abraço não deixa mágoa
por conta disso
na réplica imaginária
tributo da mesma paga
fomento navega a fala

por conta e risco
disparo retina teia
é quando o tanto
da fome define a ceia
um pouco disso
te engole sábia palavra
que chama penetra carne
unguento matura a cala

a dor da sorte
é a palavra no silêncio
quem sabe o norte
na língua dos horizontes
se anteontem
a cisma media o tempo
na rima da tua boca
verbalizo o fragmento

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05 Setembro 2009

233



Tempo
ROGERIO SANTOS

aquele momento
foi só um tempo
despido de medidas



.

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02 Setembro 2009

232


(foto: Mar Pequeno by Rose Tóffoli)

Nuvem
ROGERIO SANTOS
(letra e música)

as nuvens no rio quando vão
carregam fugaz solidão
na chuva que vem pelo ar
um rio quer ser todo mar

vem vem nuvem nuvem não vem
nana nuvem nuvem nu vem

na chuva também, quando sal
há lágrima além do lugar
quem sabe você, pelo ar
é nuvem que vem sobre o mar

vem vem nuvem nuvem não vem
nana nuvem nuvem nu vem

namora o sol de se dar
depois vai gestar rio e mar
é nuvem no cio, como não?
desagua também por paixão

vem vem nuvem nuvem não vem
nana nuvem nuvem nu vem

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31 Agosto 2009

Folha de Cima completa 4 anos !!!



Quando iniciei esse espaço, dia 31/08/2005, jamais imaginei que 4 anos depois, ele ainda estaria firme e forte, atraindo leitores e parceiros.
Mais que isso, que seria de tanta importância para esse autor de letras e poemas.
Interessante como não sou só eu que crio meu caminho, o caminho também me cria e recria.

Pensei em postar um poema para comemorar, mas não.
Vou postar o vídeo produzido pelo meu amigo Ronald Kyll para a Canção "Beijo Torpedo" que foi interpretada no Teatro da Vila na última quinta, dia 27/08/2009.

Beijo Tordedo sintetiza bem o que aconteceu aqui nos últimos 4 anos.
Vários e vários textos viraram canções e alguns textos foram feitos para melodias e também viraram canções.

O Pituco, meu parceiro em Beijo Torpedo, foi o primeiro músico que acreditou que minha poesia carregava esse perfil melódico.
E hoje nos divertimos muito cantando essa e outras músicas de quando em quando.

Onde isso vai dar ? Sinceramente, não sei...
Uma boa reflexão que serve de resposta, é meu poema 230 "Trilha" postado abaixo.

Que o perfume dessa trilha continue intenso.

Abaixo,
"Beijo Torpedo"
(Tony Pituco/Rogerio Santos)

Rogerio Santos: Voz
Luiza Albuquerques: Voz
Floriano Villaça: Violão
Mariô Rebouças: Piano
Caio Góes: Baixo
André Kurchal: Percussão
Ronald Kyll: Gravação e Edição


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27 Agosto 2009

230



Trilha
ROGERIO SANTOS

a trilha e a gente
a gente e a trilha
é tudo uma coisa só

tem quem passe a vida
como dormente
e se contente
em deitar pelo caminho

tenho mais apreço
pelo trilho
que avança
até a próxima estação

embora ciente que
não raro
o trem pese

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18 Agosto 2009

Teatro da Vila - 27/08/2009 - 21:00 hs

Teatro da Vila
Projeto: "Quanto Vale uma Canção"
Dia 27/08 - 21:00hs (pontualmente)

Rogerio Santos & Floriano Villaça
Mais uma vez os poemas do Folha de Cima
Em suas versões musicais

Em parcerias com:
Tony Pituco Freitas
Floriano Villaça
Renato Candro

Apareçam por lá !

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15 Agosto 2009

229



Olharte
ROGERIO SANTOS

um sol amarelo
um céu azul
e o seu olhar

o que mais
posso saber das cores?

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07 Agosto 2009

228



Laços
ROGERIO SANTOS

quem cria laços
enfeita os caminhos



.

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21 Julho 2009

227



Neurológica
ROGERIO SANTOS
(Letra e Música)

quando a hipófise segreda seus segredos
para acalmar a fina fome dos meus lobos
debulho o córtex no giro cingulado
instalo um clip sincopado no hipotálamo
essa cachaça que afogou os meus neurônios
me deixa o crânio meio surdo das ideias
no cerebelo bem embaixo do cabelo
as vasculites teimam de queimar artérias
minha cabeça é terra de caraminhola
por entre vasos centopéias vão marchando
ósseo no ócio em ressonância magnética
depois engov neosaldina e vâmo embora

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16 Julho 2009

226



Compulsão Diária
ROGERIO SANTOS

leitura de detalhe
todo poema
é entalhe

extrai do trisco
o risco da caneta
quando escorre

corre quando petisca
e sabe bem
quando se arrisca

por onde anda
e como chega
à luz do dia

é compulsão
que gira o mundo
a cada esquina

e embala palavras
pra viagens
de tramas e tremas

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14 Julho 2009

225




Teia
ROGERIO SANTOS

escrevo
por primitiva
necessidade
de perpetuar
o que...falo!

que seja duro
o quanto possa
muito ou pouco
pra quem leia

não sabe a aranha
o sabor da ceia

e quem puder
que se aventure
ou tente a sorte
que faça melhor
com bom proveito

pois há falácias
e não poucas
e muitos que acham
que é mole

que sabe a aranha
senão da teia?

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08 Julho 2009

224



Primeira Nota
ROGERIO SANTOS

antes da primeira nota
caminhos de pluma
silêncio e açucar

nota por nota
polegadas e polegares
linhas de pentagrama

no tempo preciso
música abstrata
nas teclas do aroma
do teu perfume

antes que seja tarde
e nada mais seja signo
e tudo siga seu rumo
de som pelas galáxias

leve plenamente
nos tons agridoces
o enclave de sal
de quando eu acorde

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14 Junho 2009

223



Sala de leitura
ROGERIO SANTOS

no passo do passo
passo tua vez
doravante delével véu
control alt del
minto intermitente
[enter]
outro passo e teso
vivo espio pio a pio
velo o vôo em si
vi e vejo passo em ti
e não digo que digo
nem nego que nego
nem depois do galo
encalacrar no gargalo
de bicar três vezes
coro de papagaio
quando grita [enfim] batuta
que aí [batata!] tem truta
que puta merda
tá super na cara
me interessa nessa
fazer do corpo
sala de leitura
só pra me arrepender
depois de arder livro
de orelha dobrada
então outra vez
de quando de vez
voltar a página

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10 Junho 2009

222




Gelo
ROGERIO SANTOS
(musicada em 21/07/09 por TONY PITUCO FREITAS)

rompe-se tanta coisa
com a espreita do dia
já não há luz nas esquinas
sombras de fundo fosco
vai alma presa num jeans
neva um sorriso no rosto
tudo gelou por inteiro
estrelas no calabouço

a cidade mora em mim
com os seus olhos de espelho
coração dilacerado
vôo e vou de olho aceso
com tanto jeito de fim
quanto sujeito outro
e a cidade move em mim
olhos no espelho do novo

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23 Maio 2009

221


foto: Juliano Beccari

Floramor
ROGERIO SANTOS
(inspirado em "harmonica pra fê" de Juliano Beccari)

minha estrada é de ser
armar o passo e seguir
cada frase antever
em cada acorde efluir

no sorriso de fê
mora a cor desse trem
floramor de viver

passageiro de fé
trilho cravado no sim
estações pra crescer
sem auras feitas de giz

de alegria compor
fazer mais um café
ir ficando de vez


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14 Maio 2009

220




Gota
ROGERIO SANTOS

em serena aridez
um poema se esconde
onde verte uma lágrima
aflora uma fonte

e é fogo nas ventas da noite
que a lua se cansa
que o dia se apronte
de sal viuvez

o trilho atira na tez
a nave aclive na fronte
e eu falo que é bom
de tão bom outra vez

no copo um litro não dito
um quisto não calo não vítreo
avenca poema horizonte
na vela da gota
um Nilo se Fez

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01 Maio 2009

219



Solitário e Coletivo
ROGERIO SANTOS

não bem no ovo
estou de novo aqui
calado
também na casca
dos meus poros calejados
também distante
nesse instante relativo
no espaço que me exato
numa dúzia ou num quilo

não sei ao certo
se bem rato se bem homem
não sei ao certo
se cottage ou roquefort
sei da dança de quem dança
todo instante mal vivido
no espaço que me exalo
do perfume desse grito

minha lorota é de ricota
e meio diet
desnatada e sem açucar
feito gosto de abacate
a loucura que me invade
de silêncio e liberdade
é prisão e é saudade
sem perdão e sem juízo

e sou aquele onipresente
feito um cisco
feito traço de corisco
feito pluma quando baila
todo baile de quem dança
tendo riso por herança
como um choro compulsivo
solitário e coletivo

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21 Abril 2009

218




Holofotes
ROGERIO SANTOS

jogo luz na tua luz
clara sina
faróis
numa esquina da vida

jogo luz na tua luz
para que...
...quem sabe
um relance

jogo luz toda luz
e quem brilha produz
pra cegar provocar
pra bater e ir embora

apelo na pele
atento ao detalhe
e aos pequenos entalhes
dos poros

por cima
por baixo
por dentro
de lado
de costas

porque você sabe
e eu sei
de segredos

segredos segredos
tão bons brinquedos

ficam muito melhor
quando tesos letais
holofotes

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13 Abril 2009

217



Abissal
ROGERIO SANTOS

um gesto vale mais
por isso em meu olhar
a lua cheia sempre sai do mar

estrelas na areia
nas mãos de sereia
a brisa que chega é cais

enquanto a beleza invade
e a dor se evade sem dar sinal
as fases tão bem guardadas
se a lua salga luz abissal

enquanto um poema cala
e um beijo embala o ponto final
poesia tão sem palavra
vem prateada estrela de sal

estrelas na areia
nas mãos de sereia
um verso contigo é mais

sorriso da minha amada
farol na praia do caminhar
carrega um brilho de lua
de branca espuma de puro mar

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23 Março 2009

216



Pé na Areia
ROGERIO SANTOS

teu olhar magnético no meu olho cético
aponta uma ponte entre o amor e o poente
se é
verdade
semente
desejo
ou
cimento
sei que não passo um passo sem seguir em frente
embora haja areia sob os pés
e arpejo de ondas na mente
maré que sobe
maré que desce

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18 Março 2009

215



Saliva
ROGERIO SANTOS

saliva
minha língua
na tua
atadura
to be or not
sermão
na montanha
fogo ruindo
palavras
na pele papel

sal live
pimenta
olfato
oferenda mais rara
or fã nato
une verso e sal
poema cifrado
criptografado
na língua do amor
universal

sativa
trago uma
e quero bis
meu vício
quasetílico
pró par oxítono
quasímodo
degusta sentidos
me suga mamilos
e papilas gustativas

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12 Março 2009

214



Samba do Brejo
Música: RENATO CANDRO
Letra: ROGERIO SANTOS

pra descolar uma rã
é preciso aprender
a engolir sapo
então você, de pé,
lanterna e fé
encara o bicho
que tem dengo de mulher
só faz fugir
se bobear
a vaca vai pro brejo

mas pra saber se dá pé
faça uso de corda e mosquetão
botina e bornal
quem quer a rã
porque tem sanguessuga até
cobra de vidro mora lá
não pisar
toda sogra é jacaré
é de lei

peguei
vem cá

sambei
quem faz ?

São João Donato vai me socorrer


Essa música foi cantada pela primeira vez ontem, dia 11/03/2009, no palco do Café Piu Piu em São Paulo. Fui acompanhado por Floriano Villaça (violão), Caio Góes (baixo) e André Kurchal (percussão).
Abaixo a versão do tema "Samba do Brejo" ainda sem letra, postado por Renato Candro
em sua página do myspace.
- Valeu Renatão, a nossa receita tá aí... quem quiser sair à caça, que se habilite....hehehehe
.

Samba do brejo

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