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19 dezembro 2010

299


Doma
ROGERIO SANTOS

água de rio tem dor de vida
quando corre doce e acaba em sal

explode em tempero e plenitude
lambendo na maior sacanagem
as belas coxas da moça
que vai entrando no mar

09 dezembro 2010

298

 

Terra da Luz
ROGERIO SANTOS
 
sinto um cheiro de lenha
no finalzinho da tarde
umas montanhas ao longe
o vento na copa das árvores
gosto de pó quando o carro passa
e a noite que vai chegando
enquanto a gente caminha
eu e ela de mãos dadas
traçando passos e planos
pelas margens do Rio Preto
ao fundo o canto das águas
nosso olhar virando lembrança
se transformando em saudade
mais tarde um queijo e um vinho
café e compota de tomate
e tem tanta gente que nem desconfia
onde mora a felicidade...

02 dezembro 2010

297


Anis
ROGERIO SANTOS

aroma assaz
quinau matriz
no ar amaro arar
um gume um triz

a lã o amor o mar
tecem ardiz
vira casaca e cais
chegar partir

dentro do olhar
um céu matiz
é mó de enlevar
planos sutis

voar por lá é mais
pluma aprendiz
um bem de desejar
final feliz

o sal  o som o sol
a flor de lis
ludo de corte traz
cheiro de anis

28 novembro 2010

296

(Tulípio foi atrás de uma francesa que passou e lhe deu bola: a "moët chandon")

Engatando uma quinta
ROGERIO SANTOS

É quinta-feira, vou pra Vila Madalena
Já me preparo pra curtir o mestre Ítalo Peron
Mario Mammana no cavaco e na cerveja
Cláudio Duarthe e Floriano dando um show no violão
O mestre Pimpa, o azougue do pandeiro
No bandolim e flauta o Prata, preciosa louvação
Vejo o Tulípio sempre na oitava mesa
E o Mineiro pede um "Baden" provocando a formação
Retiro a máscara de batalhar a vida
De cara limpa solto a voz do peito, mando um saravá
Céu de São Paulo que jaz túmulo do samba
Mande a garoa abençoada porque é hora de chorar

20 novembro 2010

295





Cadeia Alimentar
ROGERIO SANTOS

entre a espinha dorsal
e a costelinha temperada ao vinho
é tudo questão de fome
e de um amigável vizinho

01 novembro 2010

294



Banho de Chuva
ROGERIO SANTOS

e por aqui
o vento já não bate
acaricia

os cabelos
molhados de chuva
emudecem

sabem os fachos
que hoje
é apenas tempo

que a mecha
segue viva
porque acesa

os olhos
não dão trégua
nem por defesa

pagam fiado
o preço adicional
da beleza

24 outubro 2010

293


Sete vidas
ROGERIO SANTOS

um gato tem sete vidas
eu tenho uma vida só
sete amores sei que é bom
um bem grande é bem melhor (refrão)

mulher boa é minha mãe
boa mesmo é minha avó
disse ontem meu avô:
- depois que ela virou pó

a mulher que tu me destes
era osso, esfarelou
Jesus Cristo veio a Terra
nem a dele ele levou

essa velha minha sogra
no meu sogro deu um nó
trocou sua dentadura
por um quilo de jiló

na hora do rango pronto
veio a fome de leão
o jiló virou chichete
sem ter a mastigação

minha sogra deu risada
meu sogro não teve dó
encheu ela de pancada
foi parar no xilindró

Jesus Cristo veio a Terra
pra deixar uma lição
mulher boa só a mãe
as demais só confusão

21 outubro 2010

292

A poeta Lilia Maria Faccio é uma grande amiga e escreveu o poema destacado em vermelho inspirada no meu poema GPS, que classificou como geográfico (não posso negar que isso acontece com frequência...rs). Produziu uma resposta matemática para o meu poema. Lilia foi minha professora de matemática no ginásio. Uma excelente professora, uma excelente poeta e uma excelente pessoa. Confesso que essa construção a quatro mãos ou a dois cérebros, trouxe uma alegria diferente:
A alegria de sentir quando um pequeno tesouro vem nos garimpar.

In-disciplinas
ROGERIO SANTOS
LILIA MARIA FACCIO

o amor é altiplano
quando a vida é cordilheira
quando a paixão serpenteia
desejo e desfiladeiro

a atração é um desafio
primeira ponta de fio
da novela e do novelo
fecunda lição de alpinista

não há carta ou cartilha
que oriente um caminho
vai nos olhos de quem ama
GPS e fagulha de chama

o amor é um axioma
quando a vida é um teorema,
quando a paixão se demonstra
por indução quase infinita

a atração é o desafio
de preencher o conjunto vazio
de muitas respostas e facetas
de quem contém ou é contido

não há processo ou algoritmo
que mostre o melhor caminho
pra se chegar ao coração
de quem escreve o problema 


17 outubro 2010

291

(foto: aliança, de Rose Tóffoli)

GPS
ROGERIO SANTOS

o amor é altiplano
quando a vida é cordilheira
quando a paixão serpenteia
desejo e desfiladeiro

o tesão é um desafio
primeira ponta de fio
da novela e do novelo
fecunda lição de alpinista

e não há trilha ou cartilha
que oriente um caminho
vai nos olhos de quem ama
GPS e fagulha de chama

15 outubro 2010

290

(Foto: Rose Tóffoli)

Canto Cantareira
ROGERIO SANTOS

um canto um tum tum
um rito baticum
um bico um cisco um risco
pelo céu levanto avoo

também sou de urucum
menino ribeirim
a clave tem a chave
por calor que o asfalto apague

carrego nesse tanto
o acalanto de mi'a mãe

que é dessa freguesia
com oh de ladainha
estrada da boiada
e rua dos sitiantes

que dentro do meu peito
corre um rio como antes

por mais que tudo pare
nada ande tudo estanque
altar bem paulistano
interiorano retirante

também sou de urucum
retinto feito assum
um bico um cisco um risco
pelo céu levanto avoo

num canto cantareira
sou mais zum delineante

13 outubro 2010

289

(Foto: Estação, de Rose Tóffoli)

Escotilha
ROGERIO SANTOS

a singeleza que me habita
pinta e borda em linhas tortas
não diz solitária palavra

não compra carro de marca
não veste roupa da moda
também não sai em revista

é no silêncio que dá as caras
é no olhar que pega a pista
é no sorriso que viaja

é na leveza que se espraia
é no poema que levita
é no carinho que é turista

21 setembro 2010

288


Endereço Ipê
ROGERIO SANTOS

quando era menino
em frente minha casa
havia um ipê-amarelo

tenho saudade quando falo
dessa essência que velo

ninguém nem se preocupava
como se chamava a rua
ou com número e altura

muito antes de alguém
achar esse site e me ler
já cultivava feliz
meu próprio endereço ipê

17 setembro 2010

287


Redoma
ROGERIO SANTOS

na simplicidade
busco a profundidade

- mergulho de cabeça -

vou construir por lá
meu lugar de respirar

09 setembro 2010

286

Nanquim
ROGERIO SANTOS

esse pranto em silêncio
desabou perfumado
orvalhou decantado
no calor do cio

quem só vive colhendo
no falar e no ouvir
desaprende a ruir
e intuir outro estio

desaprende a sentir
desfolhar, tatear e olhar
o que não se desvela
senão pelo silêncio

e esse rio do rio de nós
no negrume e algidez
leito escrito à nanquim
quando o mar vai despir?

quero som de tua pele
quando o mar vai vestir
esse rio de mim
quando explode em silêncio

07 setembro 2010

285


A boca
ROGERIO SANTOS

o céu da boca
o céu
a rosa moça
a boca
a boca é rosa
a rosa
a rosa é rosa
a boca

a boca é céu
a moça
a moça rosa
a boca
o azul do céu
a rosa
o céu da boca
a moça

31 agosto 2010

284 (Folha de Cima Completa 5 anos !!!)

Hoje esse blog faz 5 anos. Quanta coisa boa por aqui... quanta coisa....!
Vai um poema-texto-canção...

Pão de Cada Dia
ROGERIO SANTOS

O perfume nessa trilha sou eu
No olfato quem vicia sou eu
Quando ainda não é dia, no breu
Voa o pássaro e a poesia sou eu

Mano quanto fardo eu levei
Mana quanta pedra quebrei
Diamante é pedra fria hoje eu sei
O que é ouro o que é pirita também

Na palavra do alimento vou eu
Preso na folha de cima epâ hei !
No alimento da palavra vou eu
Pelo pão de cada dia sem lei

Mano quanta sorte eu roguei
Mana quanto chão caminhei
Hoje é dia de festa, sou rei
Uma festa de poesia sonhei
.

18 agosto 2010

283


Amalgama
ROGERIO SANTOS

a semente que jogo é jogo:

o poeta dá as cartas
que desembaralha

a que carrega na manga
é almagamada

16 agosto 2010

282


Das flores
ROGERIO SANTOS

coração de poeta tem casca fina
grávida de jabuticaba doce

para os pontudos espinhos da vida
há outras espécies de flores
(muito mais vistosas)

24 julho 2010

281


Sinos
(ROGERIO SANTOS)

sinosons
sinuosos
esssesss
blemblem
blommmm
sinosons
sinosons
sinosons

22 julho 2010

280

 (foto: Laura Machado)
Remo
ROGERIO SANTOS

teus olhos postados
a beira do mar
sou barco que vai
a deriva

na peça esculpida
perfume certeiro
madeira de remo
no ar

quem dera soubesse
captar tanta luz
canoa à vagar
sem motor

magia do amor
quem dera pudesse
ser barco movido
a raios de olhar

no mar verde cais
do mar verdes ais
na sombra
da noite que vem

no tempo que vai
no dia que jaz
gangorra do tempo
dirá

19 julho 2010

279


 (foto: Flávia Melissa, na China) 

Básico Instinto
ROGERIO SANTOS

não quero outra coisa
senão cores

arrasadores sabores

não há poesia na fome
e se há não é da boa

não quero poesia tola
quero valores motores

um sorriso no rosto saciado
no reverso do alimento

cumprindo seu ciclo
por básico instinto

um dia palavra
no outro semente

04 julho 2010

278


Soltando o Verbo
ROGERIO SANTOS

acerca da palavra
nada sou bom em dizer
sei que sempre me enredo
e meio que me acomodo
porquanto não fujo da linhas
que tecem as tramas da frase

acerca da palavra
sinto um jeito de prender
soltando o verbo
e deixando reticências
até que algum final de tarde
desenhe um ponto final

acerca da palavra
declaro aos prezados
e desavisados leitores
que a mesa não é das piores
banquete de abacate
com sal e açucar
por conta da casa

11 junho 2010

277



Gomes & Gumes
ROGERIO SANTOS
(para Artur Gomes)

o gume da brisa avisa
que Artur, bardo rei
sua poesia metralha
entre o calçado e a calçada
entre o mar e a muralha
da musa de tanga a cangalha
bala fala de navalha
dos entrefolhos, bocas
& beco das garrafas
suculentos poemas em pets
cruza Crusoé sete mares
moura pepita de pirita
onde quem cala naufraga
Artur é enxada
minhoca danada
é espada cravada
na fenda da palavra
(e ai de quem pedra furada)

03 junho 2010

276

(essa já nasceu canção)

Bicho-da-Seda
ROGERIO SANTOS

hoje eu sei (não sei, pensei) é dia feriado
aquela saudade bateu
é quando eu me himalaio
incontinente porém poente espraio
por quanto oriente no breu um verso entalho

vem das alturas do muro Pequim
deuses que sabem não sabem de mim
rondam os pirineus e os apeninos
guardam olhares que vi e no free

mundo de metros
mundos e fundos
mundo teco teleco teco
do muro de Berlim

leva-te leve uma ave avião
leve te leva em qualquer direção
diz oriente e me queimo qual fósforo
livre docente em carência no trópico

leva-te leve uma ave avião
leve te leva em qualquer direção
diz oriente e me queimo qual fósforo
bicho-da-seda no estreito de Bósforo

traz seu casulo pra perto de mim

01 junho 2010

275


Stand by
ROGERIO SANTOS

é denso o silêncio na noite

vai alta a madrugada
e a insônia toma a casa

pequenas luzes da tv em stand by
sombras de samambaias
clarão no branco dos olhos

na boca gosto de laranja
resquício de suco industrial
de engolir comprimido

deve haver algum jeito
de encarar o travesseiro
de acalmar os neurônios
de chegar ao novo dia

na cabeça um vazio
no vazio um martírio
no martírio um motivo
no motivo energia

pálpebras de samambaia
um breve e leve cochilo
são meus olhos em stand by

31 maio 2010

274


Conta de Coração
ROGERIO SANTOS

longe é ilusão
amor não se mede em metros
amor não se mede em jardas
nem requer calculadora
quando é conta de coração

22 maio 2010

273


Gibraltar
ROGERIO SANTOS
(para Sérgio Santos)

ora luz ora som canção
velas nos olhos fechados
notas perfume no ar
pálpebra estreita (de Gibraltar)

coração de compositor
guarda cores dissonantes
e acordes lápis-lazuli
cofre de rio e de mar

16 maio 2010

272


Mutualismo
ROGERIO SANTOS
 
aprender
e ensinar
sem dizer
uma só palavra
é a mais rica
das formas
de amizade

12 maio 2010

271


Insônia
ROGERIO SANTOS

a cidade dorme descoberta
na alta madrugada

as palavras repousam
quietas na estante
dentro de um dicionário

na poesia do silêncio
viajo calado
por sonhares
nunca dantes navegados

25 abril 2010

270



Estampido
ROGERIO SANTOS

os carros passam velozes nas marginais
os carros passam velozes
velozes marginais

veladas almas velozes nas marginais
atrozes almas ferozes
são armas capitais

amalgamadas vigas nas marginais
as vidas passam velozes
os carros passam ferozes

as armas passam incólumes nas marginais
as almas marginais
vagalumes de corte

ferozes luzes singrando nas marginais
os carros marginais
coriscos tão velozes

sem margem de manobra nas marginais
silêncio que aqui jaz
silêncio que aqui jaz

as vidas voam como os carros nas marginais
um grito estampido no freio de quem vem atrás

23 abril 2010

269


Dúvida
ROGERIO SANTOS

afundado em dúvidas
fiz sair pelo mundo
em busca de certezas

e pela vida aprendi
que a grande certeza
é aprender com as dúvidas

10 abril 2010

268


Um
ROGERIO SANTOS

seus olhos
dois pontos

meus olhos
dois pontos

linha reta
distância menor
entre dois pontos

nossos olhos
UM ponto
dois pontos
:
reticências

28 março 2010

267


Valsando
ROGERIO SANTOS
(para o tema "Valsando" de Antônio Mineiro)

te vi
tão linda no salão
aos rodopios

peguei meu violão
e fiz uma canção
de amor

valsar
ainda não sei
mas hei de aprender

então
nós dois em três
vamos flutuar
de paixão

tracei
na letra da canção
um desafio

entreguei meu coração
que deslizou
como um beijo

flui, flui e flui
agora no salão

valsando
baila feliz
na tua mão

26 março 2010

266




Corrente
ROGERIO SANTOS

há corrente
de prender
e de soltar
água doce
de neve
e navegar
onde vagas
as mágoas
vão morar
por saber
saber calar
e ceder
e mergulhar

na corrente
de prender
e de soltar
nessas águas
de olhares
e molhares
feito mar

18 março 2010

264


Relicário
ROGERIO SANTOS
(para Maria José Limeira)

coração de poeta
trava no peito
qual relicário

quando adoece
vem na receita
é um dicionário

07 março 2010

263

 

Além da Receita
ROGERIO SANTOS

a forma está para o bolo
como a amizade para a poesia

é bom ter em mãos a receita
untar com cuidado o recipiente
juntar os vários ingredientes
misturar cada um no seu tempo

deixar a massa ganhar ponto
só então levar ao forno
e acompanhar com carinho
para evitar que se queime

curtir o cheiro tomando
todo o espaço da casa
todo o pedaço da alma
invadindo calmamente
o coração e as palavras

e com a prática é possível
seguir além da receita
descobrir novos segredos
no risco do erro e do acerto

28 fevereiro 2010

262


Entre Sóis
ROGERIO SANTOS

cabelos ruivos tua tez teu escudo
por onde a sorte dos olhos mergulho
quando entre sardas centelhas saltitam
por onde meus apelos atrelo e navego
por quem faminta minha boca saliva
quando me prendo e estendo por um fio sincero
de ondas salgadas no mar calmo do tempo
de conchas e pomares de luares que invento
de sonhares surreais de matizes que desvelo
que revejo e velejo quando me teço desnudo
entre sóis e lençois dos fátuos faróis de tu cielo

26 fevereiro 2010

261

 
(foto de Edu Ikeda: Paranapiacaba-SP)


Domador
ROGERIO SANTOS

minha vida
pautada no cotidiano
segue sua trilha
sem grandes novidades

continuo o mesmo

um ser ou não ser
em frequente mutação

domador de dúvidas

25 fevereiro 2010

260

Moto Perpétuo

(Rodosentimento III)
ROGERIO SANTOS

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro casa

giro ponte giro trabalho
giro ponte giro namoro

casa giro mercado casa
casa giro cinema casa

casa giro sogra casa
cerveja giro casa namoro

e tudo segue girando

12 fevereiro 2010

258


Peninsular
ROGERIO SANTOS

um dia seguirá
como o aboio
de um verso amigo
o bom sorriso
do meu velho pai
que meio mundo
soube circular

então só restará
aquela ilha
adentro mar deserto
discreta creta
mini minotauro
tão preso a tudo
que redundará

a lenda é pressentir
aquele abraço
um beijo com gosto
muito obrigado
pro meu velho amigo
que vai comigo
em tudo que faz

além de perseguir
aquilo tudo
que me foi proposto
sem ter palavra
regra de se olhar
e engolir
todo tipo de choro
pra hidratar

e sempre ficará
todo momento
estampado no rosto
intimo um istmo
para que a vida
possa seguir
sempre peninsular

11 fevereiro 2010

257



Rodossentimento II
ROGERIO SANTOS

a rodovia é uma estrada
a estrada é uma avenida
a avenida é uma rua
a rua é uma viela
a viela é uma quelha
a quelha é uma ruela
a ruela é uma travessa
a travessa é uma vereda
a vereda é uma picada
a picada é uma carreira
a carreira é um atalho
o atalho é uma trilha
a trilha é um caminho
o caminho é uma artéria
a artéria é uma algaravia

10 fevereiro 2010

256



Hermenegildo
ROGERIO SANTOS

Hermenegildo molhou a areia
claramente ouviu-se o som
quem viu viu a vera
quem ouviu quimera

era ele e ela
ele nela funda esfera
uma marca cravada

na tapera

uma onda bateu
lambeu a perna
era ele e ela
e a marca cravada
na canela

Hermenegildo molhou a parede
logo ele que manera
logo ela que foi pedra
e hoje que erodiu
quisera

08 fevereiro 2010

255



Ciclo
ROGERIO SANTOS
(para o tema "Ciclo" de Antônio Mineiro)

onde vou chegar sem me perder?
como me encontrar sem me perder?

se meu caminho vem de sonhar
quando sinto tua pele
na trilha das mãos e do olhar?

estou perdido, me veja lá
todo perdido no verbo amar

como me explicar sem me perder?
como te encontrar sem me perder?

se meu caminho vem de sonhar
quando sinto tua pele
na trilha das mãos e do olhar?

estou perdido, me veja lá
todo perdido no verbo amar
sei conjugar de tão perdido

como te explicar sem te perder
como me encontrar sem te perder?

quando caminho no teu andar
sei que sente na pele
na trilha das mãos e do olhar

estou perdido me veja lá
de tão perdido venha me achar
fechar o ciclo já

31 janeiro 2010

Show no Photozofia, em São Francisco Xavier (SP) - 06/02/10 - 22:00 hs

 

São Francisco Xavier é uma maravilhosa e bucólica vila encravada na Serra da Mantiqueira e dista  + ou - entre 130 e 150 Km de São Paulo. 
Local com ótimo astral, trilhas, cachoeiras, excelente estrutura de pousadas e aquele ar maravilhoso que só a montanha pode proporcionar.

O Photozofia (http://www.photozofia.com.br) é a cereja no bolo local.
Casa que se destaca na gastronomia e no extremo bom gosto musical, tem um ar romântico e aconchegante, e é endereço noturno obrigatório para as pessoas que vão curtir o final de semana do aconchegante lugar.

Pelo palco passam nomes grandes nomes da Música Popular Brasileira.

Apenas para ilustrar o que escrevo, no dia 29/01 por lá esteve Kléber Albuquerque e no dia 13/02, ninguém menos que Mário Manga.

No próximo sábado, dia 06/02, acompanhado de Floriano Villaça e de Luiza Albuquerques, estarei por lá mostrando nosso trabalho.

Deixo abaixo uma amostra do que rolará no próximo sábado: 

"Prisma" (Floriano Villaça/Rogerio Santos) 
interpretada por Luiza Albuquerques.


29 janeiro 2010

254


Minha Prosa
ROGERIO  SANTOS

quando me apontam poeta
já não me queixo da alcunha
sei que isso pesa um bocado
e que já me foi mais pesado

poeta é Vinícius, Drummond
Leminsky, Patativa, Torquato
e muitos outros lindos nomes

sou pássaro temporão
em um ninho de amigos
com asas e cara-de-pau
num céu de ondas sonoras

o dicionário é minha roça
o acorde é minha lavra
a palavra é minha enxada
a poesia é minha prosa

27 janeiro 2010

253

Lichia
ROGERIO SANTOS

quando aflorou a poesia
esse embate que alicia
não era noite nem dia
na pele sabor de quase

um extase irresoluto
tão grave quanto crase
que causa crise na frase

agudo jogo de ludo
quando vira seis no dado
e há peça na casa ocupada

enquanto um gargalhada
o outro retorna pro nada

em geral vai longe o fim
por esmero do destino
com solavanco e guinada

tem tanto não tanto sim
jura que molha a língua
numa taça de pró seco

morte de ouro e elegia
nem tanto noite nem dia
fica um quase que vicia

25 janeiro 2010

252



Esteio
ROGERIO SANTOS

do amor
(meandros de um rio)
nada posso dizer

mas deixo pistas
no olhar

leitura intensa
a quem possa interessar

22 janeiro 2010

251



Dedicatória
ROGERIO SANTOS
(para Arlete)

vou deixar dedicatória
uma palavrinha qualquer
uma tirada engraçadinha
de alegrar seu coração

numa frase bem bolada
que te pegue de surpresa
e arrebate um sorriso
de tenra e terna beleza

original dedicatória
rabiscada em lembrancinha
um mimo bem verdadeiro
como um bom sol na manhã

que a vida só vale por isso
no meio de tanta loucura
de tanta procura sem foco
beber um poema e um sorriso