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06 fevereiro 2011

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O Vaso
ROGERIO SANTOS

sou um vaso iluminado
trago flores
mesmo que meio quebrado
trago flores

pela fenda de mim mesmo
sempre escorre alguma água
seja chuva de alegria
ou mar de calma

sempre há pássaro por perto
do assovio
sempre um cisco de alegria
e rodopio

o meu corpo vem do barro
de açude
o esqueleto de madeira
de alaúde

pela fenda de mim mesmo
passa um rio
passa fina corredeira
em raro trino

da semente faz um galho e faz o ninho
meu vizinho João-de-barro
em seu destino pequenino

sou um vaso que navega pergaminho
guardo toda uma cisterna
pingo a pingo

que de tanta primavera
enfeito um livro
faço flor e traço viço na janela

2 comentários:

Kiro Menezes disse...

Teu transbordar é que faz de ti o vaso,

esse que traz flores no regaço!

Que belo, o li no Poema Dia, mas aqui te jogas ainda em mais bela maestria!!!

Se não te importas, seguirei!

^_^•

rogerio santos disse...

Seja benvinda ao meu livro vivo !
Por aqui é que crio, pinto e bordo minhas peripécias...
Esse texto por exemplo, veio com melodia e tudo e já saí cantarolando...
Um beijão pra vc