Sala de leitura
ROGERIO SANTOS
no passo do passo
passo tua vez
doravante delével véu
control alt del
minto intermitente
[enter]
outro passo e teso
vivo espio pio a pio
velo o vôo em si
vi e vejo passo em ti
e não digo que digo
nem nego que nego
nem depois do galo
encalacrar no gargalo
de bicar três vezes
coro de papagaio
quando grita [enfim] batuta
que aí [batata!] tem truta
que puta merda
tá super na cara
me interessa nessa
fazer do corpo
sala de leitura
só pra me arrepender
depois de arder livro
de orelha dobrada
então outra vez
de quando de vez
voltar a página
11 comentários:
Que sintonia! Hoje eu escrevi sobre um livro e você sobre a sala de leitura. Só que, o que eu falo do livro é singelo, já a sua sala de leitura, é um arraso!
Gostei.
ARRASOU! =)
Bello, que belo! mais delével mesmo foi o control alt del que deste no primerio comentário.. hehehe
O engraçado é que não fui eu que deletei o comentário...
Acho que foi a própria Lilia que postou em duplicidade...rs
Oi Rogerio,
De fato fui eu quem deletou a mensagem. Quando postei o comentário, não sei porque, duplicou. Eu não sabia que iria ficar registrado.
Desculpe a nossa falha...
Rogério,
"vivo espio pio a pio",sempre tem música na tua poesia...mesmo sem querer...mas o mlhor do poema está no final, lindo e inteligente
:depois de arder livro
de orelha dobrada
então outra vez
de quando de vez
voltar a página
Eu voltei e li de novo.Adorei!
signore,
tô ainda traduzindo o poema...mas,que lance é esse de bicar trêisveiz no gargalo?
curiosidade,apenas.
amplexosonoros
namaste
Signore, o poema escorre ladeira abaixo dando suas bicadas..
"vivo espio pio a pio"
e depois vai brincar com a traição
"não digo que digo, nem nego que nego, nem depois do galo encalacrar no gargalo" (lembra daquela passagem bíblica de Pedro traíndo Jesus...rs: Antes do galo cantar duas vezes, vc vai me trair três vezes?)
no verso seguinte, esse galo picareta, tenta em vão bicar um coro de papagaio (mas vc já viu papagaio ficar de bico calado?)
rsrs...
Enfim... é apenas um trocadilho, uma brincadeira, para aprontar e apontar o desfecho do texto.
Uma brincadeira com os voos e os não-voos (coitado do galo, né? o bicho tem asas mas não voa) do poema.
Em tempo: O galo aí, simboliza a auto-traição.
Quem tem asas mas não sabe voar, grita, faz estardalhaço.
Amplexosonoros !!!
Namaste
É poeta, também encalacrei ali no gargalo... hahahaaa... e li e reli e 'treli'... e nada... devia ter vindo aos comentários primeiro. Mas agora (até p/ não fugir ao meu estilo, à praxe dos meus comentários): vc não explicou aquela belíssima figura ali... Em que pese "a sala de leitura", vc não forneceu o endereço e o telefone dessa sala... hahahha... Abração, poeta!
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