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11 setembro 2006

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Estação da Luz
ROGERIO SANTOS

todos os dias
na estação da luz
num sobe e desce
um mar de gente
se traduz

na mesma ânsia
de andar
um passo a mais
de ir em frente
prá chegar
noutro lugar

por esse ciclo
de caminho
demarcado
no mesmo horário
o mesmo som
de ladainha

tampouco importa
em que estação
chega esse homem
pelos trilhos dessa vida
como gado confinado
no suor pelo tijolo
da subconstrução

só busca a luz
da primavera
na estação

só busca a luz
da primavera
na estação

2 comentários:

Pituco disse...

belo registro,poeta!!!meu bisavô italiano,signore Enrico Cortonezi,foi um dos construtores desse prédio...vá benne!!...amplexos sonoros...namaste

Mário disse...

O olhar aguçado do poeta, tudo enxerga! Mesmo quando não vê.
Mesmo quando deixa no ar a dúvida sobre ter visto.

A poesia vive toda vez em colocamos sobre ela nosso olhar devorador. E assim ela se torna eterna.

Além das estrofes, a data da foto, confere singular eternidade à sua obra. Uma eternidade que se repete a cada passo sobre a plataforma.

Como se fosse ontem,
Como se fosse hoje,
Como se fosse sempre.