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22 janeiro 2008

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Matinal
ROGERIO SANTOS

acordar os acordes
e aflorar a canção
na casa do peito
o passo no tempo
no fogão o compasso
toque de percussão
no tic-tac do relógio
a lembrança da nota
abstrair a música
do café da manhã
dia após dia mirar
navegar a canção
a vida e seu curso
a estação e o ciclo
o amor que renasce
nos pequenos gestos
a criança que mora
no sabor do mamão
e cantar no chuveiro
e cantar todo dia
para espantar os males
e abraçar a paixão

3 comentários:

Carol Barcellos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carol Barcellos disse...

Puxa, que lindo seu poema!!! Sabia que nunca tinha relacionado ser criança com mamão? Hahaha, e acaba que o mamão faz parte das minhas lembranças infantis, minha avó gostava muito, e o cheiro desse fruto me faz lembrar muita coisa de criança, inclusive cantar no chuveiro, o que faço até hoje, hahaha!!! :0>

Um beijo doce cristalizado!!! :o*

Ch disse...

Meu caro Rogério;
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Estava eu de férias no litoral por quase um mês, mas eis que chegou o momento de retornar à faina.
Assumo a dianteira do Almofariz e me disponho a rever os amigos de imediato, para me inteirar das novas e de todos.
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Vejo que por aqui a coisa anda a todo vapor, o que muito me apraz. Belo o poema matinal, com todos os cheiros e sensações que nos trazem o tempo, uma visão da janela, o aconchego da cozinha, o alimento e o vigor. Aproveitei para dar uma olhadela nos poemas anteriores, todos tramados com arte.
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Receba, pois, os sinceros parabéns. Gratíssimo pela visita.
Abraços.
Carlos
Carlos