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31 janeiro 2008

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Primas e rimas
ROGERIO SANTOS

hoje virou modinha
como kiwi na caipirinha
um ou outro poeta
condenar o verso em rima

gritam que é arcaico
que empobrece a poesia
como coisa que poema
fosse afeito a maestria

cerveja, por exemplo:
- cê veja que rima com tudo!
e é vocábulo promíscuo
na baixa gastronomia

limão rima com pinga
e se deita à bistequinha
se der um caldo na anchova
não ache que é perda de linha

(sem falar da saladinha
aquela bem safadinha
de alface, cebola e tomate
rainha das preliminares)

gin com tônica dá rima
conhaque vai bem com charuto
cereja procura o martini
como uísque ao guaraná
(aliás, nas costas da a água-com-gás)

alguns um tanto "old fashion"
constroem o verso e a rima
como quem acha que prima
é só aquela filha da tia

sem tempero não tem jeito
nem salada nem bisteca
não há nenhum drink que preste
nem poema que se preze

mas caçar regra pra ser "cult"
a antítese que me desculpe
camisinha se usa no sexo
não em quem verso esculpe

dedo em riste para o escalpo
rumo em curva ou linha reta
quem puder com ralho e rolha
que rime musa com poeta

6 comentários:

Luh Oliveira disse...

Pois é, poeta, com maestria e poesia falou de algo tão delicado...
Adoro o teu poetar...

Parabéns!

Cheiros de poesia...

Luh Oliveira

Bloguca disse...

Belo poema... acho que vai haver briga entre o Couto e o Pituco. Isso tá com cara de música.

Bloguca disse...

O comentário acima é meu.

Bloguca disse...

Pô, esse comentário tá de brincadeira? Sou eu, Guca Domenico, mas porque ele me assina como bloguca?

Pituco disse...

veja tu, meu parceiro virtual mais-que-querido e respeitado...

que outros vêm a fomentar discórdia...

teus poemas que há muito são meus versos diários em música e canção

esse,que prima e rima é de uma sonoridade olfativa tanto quanto degustável...

piramidal poeta e poesia...

amplexosonoros
namaste

Ch disse...

Caro Rogério;
.
Dizem que o poema garante a sua eternidade quando se lê, relê e trelê. Penso que com essas rimas repletas de aromas, sabores e trocadilhos, você achou a receita, como quem puxa o fio e a meada não se perde.
.
Um forte abraço do
Carlos